segunda-feira, 16 de maio de 2011

Black Country Communion - Black Country - 2010 - Review


Nessa semana resolvi fazer reviews dos discos do Black Country Communion, que para quem não sabe, é um supergrupo formado por nada mais nada menos que Glenn Hughes (ex Deep Purple e Black Sabbath - acho que dispensa apresentações) nos vocais e no baixo, Joe Bonamassa, jovem guitarrista influenciado pelo blues inglês dos anos 60, Jason Bonham na bateria, filho "DO CARA" e Derek Sherinian nos teclados. O Black Country Communion, ou se preferir BCC ainda conta com o apoio de Kevin Shirley (Iron Maiden, Dream Theater) na produção dos discos.

Está super banda foi formada em 2010 e logo surpreendeu o mundo com seu primeiro disco, que é o assunto de hoje.

O álbum realmente tem uma pegada muito clássica e ao mesmo tempo alguns elementos meio modernos, mas sem soar irritante....pelo contrário. Tudo só como uma combinação perfeita para encontrar a pedra filosofal, em uma mistura alquímica perfeita.

Antes de comentar faixa por faixa, vale a pena destacar dois pontos. A capa do disco que é uma obra prima em termos de rock and roll, como você pode ver na imagem acima, simples porém inesquecível, assim como o proposta de som da banda. O outro ponto são as letras que em certos momentos mostram que a banda, especialmente Glenn Hughes, foi muito influenciado pela filosofia oriental. Talvez as faixas "Down Again" seja mais introspectivas em termos de letras, mas o restante do disco soa bem positivo e de certo modo, otimista.

Muito bem, sem enrolações, vamos comentar rapidamente faixa por faixa:

- Black Country: O disco começa de forma mais que perfeita. Não dá pra explicar como algo tão bom não teve repercussão maior no espectro musical. A introdução do baixo do Glenn Hughes é perfeita, agressiva e é obviamente o carro chefe para que os outros instrumentos entrem com a mesma agressividade e perfeição. E para completar a cereja do bolo são os vocais típicos de Glenn Hughes, onde ele canta seguindo o seu tom típico, porém com a potência metálica que essa faixa possui, até que chega a parte do refrão e toda a agressividade é pausada para que Glenn Hughes proclame como um verdadeiro messias do Rock - "I am the messenger, this is my prophecy, and I'm going back, to the Black Country - perfeito. Então, logo após essa pausa, o baixo volta, seguido dos outros instrumentos, voz e tudo se repete. Vale toda essa descrição porque essa faixa é um verdadeiro clássico no nível de qualquer coisa quer o Sabbath, o Purple e o Led Zeppelin fizeram nos anos 70....acresdite se quiser e escute poruq vale a pena e você vai ver que não é exagero.

- One Last Soul: A segunda faixa é o single do disco, o único por sinal. Segue uma linha bem menos agressiva e é bem comercial, tem um refrão marcante que logo vai grudar como chiclete na sua cabeça, mas não pense que isso significa que a música soa como algo bobinho....pelo contrário, a banda mostra uma maturidade incrível e mais uma vez Glenn Hughes mostra o porque que é uma das maiores vozes do rock. Por sinal, depois de Black Country essa é a melhor faixa do disco.

- The Great Divide: O clima do disco ainda continua em alta, apesar que ela soa como uma verdadeira coitada após os dois grandes clássicos que iniciam o disco. Ainda sim é uma música bem interessante com os refrões típicos que só o Glenn Hughes sabe fazer, isso sem contar o pós refrão que possui viradas brilhantes, Jason Bonham é praticamente a reencarnação do seu pai em termos de bateria.

- Down Again: Uma faixa um pouco mais cadenciada com um riff até certo ponto marcante e meio grooveada (se é que essa palavra existe mesmo). O refrão também é inesquecível. Essa música como um todo, chega a lembrar algumas coisas do "The Way it is" (disco solo do Glenn Hughes lançado em 1999). Muito bom, uma das melhores!

- Beggarman: Faixa escrita apenas por Glenn Hughes, você logo supoe que deve lembrar algo de sua carreira solo. E lembra mesmo...principalmente muitas coisas da época do "Songs in the key of rock" com sua vibe dos anos 70.

- Song of Yesterday: Aqui as coisas mudam um pouco de rumo, pois é Joe Bonamassa que assume os vocais nessa faixa. Por sinal é uma música bem interessante e até certo ponto meio viajante. Seria legal ver Glenn Hughes assumindo os vocais para essa faixa toda, que na minha opinião combinaria mais, porém ele só aparece no refrão. Claro que não estou desmerecendo o Bonamassa, até porque em outras faixas o vocal dele se encaixou perfeitamente (especialmente no segundo disco do BCC).

- No Time: Faixa rápida porém um dos 2 pontos fracos do disco. Nem todos os discos são perfeitos não é mesmo?!

- Medusa: Aqui em contrapartida, encontramos mais um ponto alto nessaregravação de um dos grandes clássicos do Trapeze, banda que revelou Glenn Hughes ao Deep Purple e ao mundo. Um grande clássico, do disco de mesmo nome Medusa mostra a extrema competência que essa banda tem em resgatar o típico som inglês influenciado pelo blues. Se depender dessa banda, o som típico do Sabbath, do Zeppelin e de todas essas outras bandas clássicas continuaram vivendo por muito tempo. Versão sólida, assim como a original. Nota dez!

- The Revolution in me: Mais uma faixa com Joe Bonamassa no vocal. Essa faixa, assim como a "No time", não me agrada muito, talvez o riff robótico não ajude muito...

- Standing (at the Burning Tree): Faixa legal com uma levada que também lembra o trabalho do "Songs in the key of rock". Riff marcante, quase na linha do Black Sabbath...veja bem, quase!!!

- Sista Jane: Interessante música com uma levada mais comercial e um riff inicial que lembra muito o AC/DC, refrão bem animado e com um ótimo trabalho de Glenn Hughes e Joe Bonamassa, dividindo os vocais.

- Too Late for the Sun: Mais uma música onde Hughes e Bonamassa dividem os vocais, um final perfeito para um disco praticamente perfeito. Com seus mais de 11 minutos essa faixa leva o ouvinte para uma viagem mais que especial. Disparada a música mais progressiva do disco, que de certa forma prepara os fãs para o próximo disco da banda que tem uma sonoridade um pouco mais diferenciada. Realmente eles encerram o disco com chave de ouro, mesmo não sendo a melhor faixa do álbum.

Aguarde no próximo post o review do segundo disco do Black Country Communion, que eu já tive o prazer e o privilégio de escutar...até lá!!

Fim!

terça-feira, 10 de maio de 2011

Fama

Fama


Já passou mais um dia
Chafurdando em regalias
Coq au vin no jantar
Champanhe e caviar


Queridinho das colunas
Ostentando sua fortuna
Bebericando na área nobre
E humilhando os mais pobres


Ele não sabe o que faz
Foi consumido pela fama


Estrelismo sem limites
Com seu dedo sempre em riste
Seus prazeres desmedidos
E o seu corpo sempre estendido


Descobrindo o seu preço
Carregado de desprezo
Embriagado em hedonismo
Com seus pés no abismo


Ele não sabe onde está
Foi consumido pela fama


Sem apoio, abandonado
Sem moral, está perturbado
Seu patrimônio está falído
E seu corpo combalido


Destruiu todo o império
Construindo o inferno
Scarface, Al Pacino
Seu futuro, seu destino


O seu status social
Foi consumido pela fama


Texto de Leandro Pujiz

sábado, 27 de novembro de 2010

Não convide Rick Nielsen para tocar em seu disco solo


Hoje vou falar sobre duas infelizes coincidências no mundo do rock, envolvendo o lendário Rick Nielsen, líder, guitarrista e principal compositor do Cheap Trick.

Para quem não sabe, Cheap Trick é uma ótima banda americana que atingiu grande sucesso nos EUA e principalmente no Japão durante o fim dos anos 70, graças a alguns hits como I Want you to Want Me, Dream Police, Surrender e Southern Girls. Também teve alguns sucessos razoáveis durante os anos 80 com um som bem mais Pop e inclusive emplacou alguns videos que passavam bastante na MTV americana e por aqui no velho Clássicos MTV como She's Tight, If you Want my Love e Tonight It's You.....

Mas agora, vamos ao que interessa....isto é, as duas curiosidades...

Após atingir grande sucesso com sua banda, o Cheap Trick, Rick Nielsen passou a ser um guitarrista muito respeitado no meio do rock, nem tanto pela técnica e sim pela competência em compor grandes músicas. E de quebra, alguns grandes músicos passaram a desejar trabalhar com ele....mas infelizmente isso nunca acabou acontecendo. Rick chegou a tocar no disco solo do Gene Simmons do KI$$ em 1978 e também no "From the Inside" do Alice Cooper....mas depois disso....

1º Em 1979, Bon Scott do AC/DC estava gozando de muito sucesso graças ao grandioso disco "Highway to Hell". Numa dessas conversas de bar Bon, que adorava um whiskynho, acabou encontrando o jovem e promissor Rick Nielsen em uma noitada e falou sobre sua vontade de gravar um trabalho solo, numa suposta folga das atividades do AC/DC e sugeriu ao axe man do Cheap Trick que ele fosse o guitarrista no disco.

Não preciso nem dizer que o projeto desse disco nunca saiu do papel, pois Bon Scott acabou falecendo no início do ano seguinte.

2º Em 1980, John Lennon impressionado com a extrema competência de Rick Nielsen, com seu ótimo senso de melodia no som do Cheap Trick, resolveu convidar ele para uma jam session em um estúdio em Nova York. Rick Nielsen aceitou imediatamente e ainda levou seu baterista no CT, Bun E Nelson. Rick chegou a tocar durante uma jam session e até a gravar uma música com John Lennon (I'm Losing you - Versão alternativa que aparece em um box set do John). O próprio ex beatle tinha a idéia de usar Rick em seu futuro disco solo e até compor algumas coisas juntos.

Não preciso nem mencionar que John Lennon foi assassinado no fim de 1980 e o projeto nunca virou realidade efetivamente.

Enfim, o próprio Rick Nielsen brincou sobre essa coincidência durante uma entrevista....portanto, não leve a vida muito a sério, e vá escutar Cheap Trick ou o Rick Nielsen vai puxar seu pé à noite....

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

As Bruxas de Eastwick



Terror/Comédia: 118 min.

Direção: George Miller

Roteiro: John Updike e Michael Cristofer

Com: Jack Nicholson, Cher, Susan Sarandon, Michelle Pfeiffer, Veronica Cartwright


Filme de 1987, baseado no livro Wicthes of Eastwick de John Updike, dirigido por George Miller, As Bruxas de Eastwick conta com um time muito competente de artistas hollywoodianos. Entre eles, Jack Nicholson, começando a despertar com competência sua veia cômica vilã, que mais tarde viraria um grande sucesso como o Coringa, no filme Batman de 1990, e as três bruxas, Susan Sarandon, Cher e Michelle Pfeiffer. Todas ainda jovens porém brilhantes.

A história gira em torno justamente das três garotas que moram em uma pacata cidade do interior dos EUA, onde nada acontece, exceto o extremo conservadorismo e os cultos na igreja evangélica da cidade.

Susan Sarandon é Jane Spofford, uma tímida professora de música em um colégio, Cher é Alexandra Medford, uma mãe solteira que trabalha fazendo esculturas e Michelle Pfeiffer é Sukie, uma mãe solteira também, só que ela possui vários filhos. Não me pergunte quem são os pais. Sukie também trabalha como jornalista no principal veículo de comunicação da cidade. E já que o assunto são os personagens, ainda temos o patrão de Sukie no jornal, Clyde Alden, interpretado por Richard Jenkins. O jornalista é casado com a conservadora e fanática religiosa Felicia Alden, interpretada por Veronica Cartwright. Ah claro, e ainda temos o Jack Nicholson que interpreta o misterioso, e interessante Daryl Van Horne (nome sugestivo).

As três “poderosas” garotas vivem numa maré de puro tédio em Eastwick, com suas vidinhas chatas. E toda quinta feira elas se reúnem para tomar uma cerveja, jogar algum jogo, “brincar” com algumas magias e falar sobre o que as mulheres mais gostam de falar.....adivinha o que é???

Acertou, se você disse homens....um tanto quanto óbvio, não?!

Enfim, num belo dia, após uma das reuniões das garotas, um exótico homem, no caso Daryl Van Horne se muda com seu mordomo Fidel, para uma enorme mansão vazia que havia na cidade. Logo este homem tão estranho e exótico criou um ar de estranheza e mistério por toda a cidade. Por fim, após um recital Daryl se apresenta para a cidade de uma forma quase espetacular.

Logo após sua “apresentação”, Daryl logo causou um impacto ainda maior na cidade e desperta algo grandioso principalmente nas três garotas...tanto que o colar de pérolas de Sukie arrebenta e acaba causando um pequeno acidente com a chata Felícia que acaba caindo no chão e arrebentando sua perna.

Em seguida as três bruxas de Eastwick passam a conviver e se relacionar com Daryl Van Horne, um homem que fala tudo que elas querem ouvir. Agora elas estavam na palma da mão desse misterioso homem. E elas percebem que as suas vidas deixaram de ser uma grande monotonia e muitos dos seus sonhos morais começaram a se realizar. E também passaram a ser capazes de executar alguns truques totalmente sobrenaturais. Diria que a cena do jogo de tênis na mansão de Daryl é algo bem marcante, assim como as alucinações.

Obviamente com tudo isso o caos começa a se instalar pela até então tranqüila Eastwick.

No geral, o filme é bem interessante, na verdade a primeira metade e a metade são muito boas. A cena no qual Felicia começa a engasgar com os caroços das cerejas que as três amigas comem com Daryl também é algo marcante e grandioso.
Porém a parte final do filme pode acabar parecendo meio boba para algumas pessoas...eu achei, pelo menos.

A história acaba prendendo sua atenção, e a atuação de todos os personagens beiram a genialidade. Afinal é praticamente um dream team atuando neste filme. Mas tem muito mais por trás do time dos sonhos. Eles mostram muito entrosamento e competência.
Tem também os efeitos especiais (principalmente na parte final) que hoje podem parecer meio desatualizados, mas creio que pra época são bem legais.

Pois bem, se você gosta de comédia com muitas pitadas de terror, você vai gostar...se você é fã de Jack Nicholson ou de qualquer outra pessoa que participa deste filme, não perca tempo. Se já viu, assista de novo, diversão sem exageros garantida!

Fim!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Filmes para ver antes de morrer: Revenge of the Nerds



Comédia: 90 min.

Direção: Jeff Kanew

Roteiro: Tim Metcalfe

Estrelando: Robert Carradine, Anthony Edwards, Ted McGinley, Curtis Armstrong, Julia Montgomery, John Goodman.

Lendário filme trash dos anos 80, A Revanche dos Nerds, parte 1, debutou nas salas de cinema dos EUA em 1984.

Uma história de Tim Metcalfe, dirigido por Jeff Kanew , A Revanche dos Nerds mostra o cotidiano de um campus universitário dominado pelos jogadores veteranos que abusam dos calouros nerds que tentam conquistar seu espaço como qualquer outro aluno. Mas o caminho não será fácil principalmente para os protagonistas do filme.

Robert Carradine é Lewis Skolnick, um nerd que ingressou na faculdade para estudar ciências da computação junto com seu amigo Gilbert Lowe, interpretado por Anthony Edwars (ER).

Os dois passam a acreditar que faculdade será uma fase onde vão possuir grande status, realizar vários sonhos e que não enfrentarão os problemas típicos da adolescência, pois agora são verdadeiros adultos. Mas logo nos primeiros momentos no campus eles já sofrem com as dificuldades impostas pelos Jocks (populares jogadores e praticantes de esportes que fazem sucesso com as cheerleaders).

Liderados por Stan Gable (Ted McGinley – Married with Children) a turma dos jogadores fazem parte de uma fraternidade, os Alpha Betas e eles basicamente comandam tudo pelo Campus. Inclusive eles acabam expulsando os novatos das suas acomodações e faz com que eles tenham que dormir no Ginásio do campus.

Somente os novatos mais populares conseguiram lugar para se acomodar, por serem jogadores e iniciados em alguma fraternidade, porém os nerds e o pessoal estrangeiro ou diferente da faculdade logo encontram se totalmente abandonados pela instituição.
Lewis e Gilbert até tentam entrar para a fraternidade dos Alpha Betas, mas acabam sendo sacaneados por Stan Gable e sua trupe.

Então, Lewis e Gilbert resolvem se juntar aos outros renegados, e reformar uma casa antiga para usar de abrigo durante a estadia na faculdade. Mesmo assim Stan Gable continua fazendo da vida de todos os nerds um verdadeiro inferno.

O filme é recheado de clichês que com o tempo se tornaram típicos dos filmes de adolescentes. Mas este filme com certeza foi um grande marco, por retratarem as figuras dos nerds, mais fragilizados e estranhos que o normal, até então. Pois o nerd era retratado, no máximo, como o cara que nunca transou e tinha dificuldades de relacionamento.

Mas muitos elementos típicos são encontrados no filme, como por exemplo, a primeira transa, festa regadas por bebidas e entorpecentes, o estrangeiro esquisito, o cara afeminado, o cara escatológico, o técnico de futebol americano durão (John Goodman), as gincanas e o nerd que se dá bem com a cheerleader gostosa.

O filme passa uma mensagem bem legal, mostrando que qualquer um é capaz de ter sucesso na vida independente do seu gosto ou estilo. Todo ser humano tem o mesmo direito que o próximo. Basta querer e lutar pela sua verdadeira vontade.

Outro ponto interessante é a trilha sonora do filme que, na minha opinião, é excelente. Entre eles encontramos músicas muito marcantes como a faixa título Revenge of the Nerds, da banda The Rubinoos que teve um certo sucesso na época.

Outro destaque vai para o riff new wave da faixa They’re so Incredible que eles usam durante o rap dos nerds no festival de música na final da Gincana. Tenho certeza que mesmo quem nunca viu o filme (existe alguém?) conhece esse riff característico. Além disso, temos um hard rock bem legal, “Don’t Talk” feito pela banda The Ya Ya, liderada, na época, pelo guitarrista Lea Hart, que nada mais é que o empresário (ex?) de Paul Dianno, ex vocalista do Iron Maiden.

Enfim, vale à pena conferir o filme, que é O grande clássico dos filmes de adolescentes de todos os tempos. Ele consegue ser trash e genial ao mesmo tempo. E a trilha sonora também merece ser conferida.

PS: Na versão dublada para o português, que eu costumava assistir, os novatos renegados não eram chamados de nerds e sim de....CALOUROS!!!

Clássico!!!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Iron Maiden - The Final Frontier (2010) - Review


E alguns dias antes do lançamento, tive a oportunidade de escutar o novo álbum do Iron Maiden, The Final Frontier.

Recebo o disco daqui 1 semana, porém não agüentei a curiosidade e resolvi checar o que Steve Harris, Bruce Dickinson e Cia aprontaram para os fãs da banda.

Posso dizer que o disco não possui músicas ruins, mas para variar após o ótimo “A Matter of Life and Death”, o Maiden voltou a cometer falhas grotescas na produção do disco.

Desta vez o grande problema não são as repetições excessivas nem falhas bisonhas na engenharia de som, mas sim a voz de Bruce Dickinson.

Isso mesmo, a voz de Bruce Dickinson não é mais a mesma. Porém alguém precisa avisar isso para a banda. Afinal é duro de digerir o Bruce tentando alcançar tons absurdos em um ou outro refrão sem ajuda de back vocals. Algumas passagens ficaram soando como demos.

E sem contar a longa e chata introdução do disco.
Não sei quem é o culpado. Mas depois de pérolas como as repetições absurdas na faixa Angel and the Gambler, do álbum Virtual XI, tudo é possível.

Vou seguir o velho clichê de inúmeras reviews que li pela web e vou comentar brevemente aqui, faixa por faixa.

- Satelite 15...The Final Frontier

A primeira parte da música é uma aberração. A sonoridade do baixo do Steve está irreconhecível. A sonoridade da banda toda está irreconhecível. Com batidas tribais e batidas repetitivas na guitarra acompanhando a percussão, essa introdução soa como uma viagem perturbadora direto para o buraco negro, onde sua cabeça é um tambor e você está indo direto para o quinto dos infernos.
Depois desse estorvo musical, felizmente as coisas melhoram na segunda parte e a faixa passa a soar como uma música de verdade. Lembra muito qualquer coisa do UFO, passa a ser direto com bons solos de guitarra e com um refrão onde Bruce repete o título exaustivamente típico de qualquer coisa do Virtual XI ou do Brave New World.

- El Dorado

Provavelmente todo mundo já ouviu esta faixa. O riff é idêntico ao de Barracuda do Heart. O refrão lembra qualquer coisa boa do Maiden na década de 80. A música tem bons solos dos três guitarristas com uma ótima base. E por fim é uma música típica da era de ouro da banda. Os vocais de Bruce são muito altos no refrão, porém não chegam a irritar. Já na próxima faixa.....

- Mother of Mercy

Outra grande pisada de bola por parte da banda. Música legal, uma levada mais puxada para o hard rock, lembra muito “Stranger in a Strange Land” do Somewhere in Time, porém na hora que entra o refrão, a o tom alto na voz de Bruce caga tudo. Tinha tudo para ser uma das melhores faixas do disco, mas não é por esse deslize da produção. Se tivesse uns back vocals a situação seria bem melhor.

- Coming Home

Agora as coisas voltam ao normal, e na verdade melhora muito! Até agora, na minha opinião, é a melhor faixa do disco. Realmente ela é uma balada, mas o Maiden soa bem mais maduro, uma das melhores que a banda já fez. A música começa com um riff típico de músicas mais calmas do Thin Lizzy, na época do Night Life ou do Fighting. O refrão é excelente, sem exageros e com bastante melodia. Desta vez a produção e a banda acertaram em cheio. Os solos de Adrian Smith e Dave Murray são muito bons.

- The Alchemist

Música direta, remanescente do início da carreira da banda. Aqui você encontra todos os clichês que deixaram o Maiden famoso. Muitas guitarras dobradas, refrãos grudentos com muitas melodias e até alguma velocidade. Aqui Nicko faz sua bateria soar exatamente como a de Clive Burr. Pense em qualquer coisa do Killers e em termos instrumentais está faixa se encaixaria muito bem naquele álbum.

À partir de agora a história muda um pouco mostrando uma grande divisão no álbum. A primeira parte soa como o Maiden clássico. Praticamente uma zona de conforto. Tirando a escorregada da primeira faixa. Já nessa segunda parte, a banda soa exatamente de onde eles pararam no álbum “A Matter of Life and Death”, isto é, progressivo.

- Isle of Avalon

A faixa em si, começa de forma lenta e vai crescendo, com uma atmosfera bem psicodélica, relativamente diferente do que o Maiden tem feito nos últimos discos, isto é, inovador. A voz de Bruce volta atrapalhar no refrão. O solo de guitarra soa como qualquer coisa que o Steve Vai teria feito. Isso é realmente chocante, mas ficou legal. Inclusive o ponto alto desta segunda parte do disco são as passagens instrumentais. Destaque também para o fim da faixa que soa como grandes clássicos do Maiden.

- Starblind

Até agora achei a mais fraca do disco, mas em nenhum momento ela chega a ser ruim. Apenas normal. Mais uma vez o tom alto de Bruce atrapalha. Destaque positivo para o ótimo trabalho na bateria, ela soa bem complexa em relação a qualquer coisa que o Maiden tenha feito no passado. Segue a linha do “A Matter of Life and Death”, porém sem tanto brilho.

- The Talisman

Introdução no violão exatamente idêntica a da música “The Legacy” do AMOLAD, porém a música quando chega em sua parte pesada, soa um tanto quanto diferente em relação a faixa mencionada. Ainda sim, segue na linha de qualquer outra coisa progressiva dos últimos discos.

- The Man Who Would be King

Mais uma faixa progressiva, com introdução calma e com a típica passagem mais pesada. Mas esta música ganha destaque por Bruce cantar em um tom mais baixo. Não soando tão chato como em algumas faixas anteriores. Destaque diferencial para a base do solo na metade da música. Algo extremamente inovador, em termos de Maiden, bem progressivo, com um groove bem legal.

- Where the Wild Wind Blows

Última faixa do disco e também a mais longa. Mais uma música bem progressiva, porém também soa diferente de qualquer coisa que o Maiden tenha feito, na medida do possível. A faixa começa lenta, lembrando “The Reincarnation of Benjamin Breeg” porém quando ela ameaça ficar pesada e grandiosa ela apenas segue uma linha mais tranqüila. Sem soar como uma balada, mas sim soando como algo verdadeiramente progressivo. Aqui Bruce felizmente canta em tons mais baixos de novo e apesar de não ter grandes mudanças, como um todo a faixa soa como uma grata surpresa.

Em termos de letras, o Maiden segue a mesma linha de sempre. Falando sobre eventos espaciais, como a faixa título, criticando a política como em El Dorado, falando sobre guerras como em Mother of Mercy, ocultismo como em The Alchemist, etc. Os tópicos diferentes podem ficar por conta de Isle of Avalon, sobre Rei Arthur. Coming Home, que relata a volta para casa de Bruce no comando do Ed Force One. E The Wild Wind Blows que trata do tema apocalipse e suicídio.

Conclusão final:

Inferior aos discos solo de Bruce, “Chemical Wedding” e “Accident of Birth”.

Superior ao “Dance of Death”.

Mesmo nível do "Brave New World" e "AMOLAD"

FIM!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Hannibal - 2001


Em clima de "Saga" Crepúsculo (quelle merde), vou fugir dessa baboseira e falar de uma saga muito mais interessante, a saga do maior serial killer fictício de todos os tempos. Um personagem excêntrico, cruel, frio, porém com muita classe. Estou falando do psiquiatra canibal, Dr. Hannibal Lecter, grande estrela dos livros de Thomas Harris, que obviamente foram adaptados para o cinema, entre eles "Hannibal Rising", "Silêncio dos Inocentes", "Dragão Vermelho" e do próprio "Hannibal", que é a peça que será comentada aqui hoje.

Personagem criado pelo autor Thomas Harris, inspirado em um assassino do Mississipi chamado William Coyne, que além de matar comia a carne de suas vítimas. Dr Hannibal Lecter (imortalizado nos cinemas por Anthony Hopkins) é um homem muito inteligente e profundo conhecedor da parte mais degradante da mente humana. Devido a certos traumas na sua juventude, Hannibal acabou construindo um grande ódio pela humanidade em geral, devido o trauma que teve durante a guerra com 8 anos de idade ao ver sua irmã ser morta e servir de alimento para um soldado faminto.

No filme, "Dragão Vemrelho" (primeira parte da série na fase adulta de Hannibal, porém último filme a ser lançado, saiu em 2002) Hannibal é preso no início do filme, capturado por um agente do FBI. Após sua prisão, um detetive pede o auxílio da mente genial e criminosa de Hannibal para capturar o serial killer Francis Dolarhyde.

Em "O Silêncio dos Inocentes", lançado em 1991, Hannibal é requisitado pela agente do FBI, Clarice Starling, para ajudar na captura do serial killer Buffalo Bill. A dedicada agente Clarice acaba criando um certo fascínio pela figura de Hannibal Lecter, que toca em pontos sensíveis na vida de Clarice que jamais foram tocados antes, praticamente como se encontrasse uma espécie de ponto G da sua mente. Hannibal era um verdadeiro expert nesse aspecto.

Na sequência Hannibal, de 2001, o filme gira em torno da interessante figura de Hannibal. Neste filme ele é a caça!

Após sua fuga da prisão onde despistou um forte esquema de segurança de maneira inacreditável, Hannibal foi morar na Europa, mais precisamente em Florença na Itália. Levava uma vida, supostamente pacata, onde se tornou um curador da grande biblioteca da cidade. Na Itália, sem ser reconhecido, acabou sendo admirado por muitos intelectuais pela sua grande inteligência, sua capacidade de decorar grandes poesias clássicas, especialmente o trabalho de Dante Alighiere.

Mas como nem tudo é um mar de rosas para o anti-herói Lecter, o inspetor italiano Rinaldo Pazzi surge em seu caminho durante uma das reuniões na biblioteca, no qual Pazzi acaba reconhecendo Lecter. Então ele começa a planejar uma maneira de capturar Hannibal para conseguir a milionária recompensa de 3 milhões de dólares. Mas a vida de Pazzi acaba sendo muito complicada pois ele está lidando com o maior gênio do crime.

Nessa história Clarice Starling enfrentando problemas com o FBI continua com sua busca e obsessão pela genialidade de Hannibal Lecter. Logo seus caminhos acabam se cruzando.

E paralelo a isso o filme ainda mostra uma relação que Hannibal teve com um milionário, pedófilo e sádico Mason Verger, que no passado foi obrigado a buscar ajuda psiquiátrica com Hannibal Lecter, porém acabou sendo mais uma de suas vítimas numa situação um tanto quanto bizarra. Hannibal aproveitou o sadismo de Mason e pediu para que ele demonstrasse sua auto asfixia enquanto se masturbava. Hannibal, aproveitando o momento de prazer de sua vítima acabou dopando Mason e pediu para que o mesmo mutilasse seu próprio rosto e depois desse de comida para seus cachorros....e foi o que Mason acabou fazendo. Anos depois, Mason é retratado de uma maneira totalmente deplorável, no qual ele se encontra numa cadeira de rodas e com o rosto completamente desfigurado. Incrível que ele conseguiu sobreviver ao terrível ataque de Hannibal.

Enfim, na minha opinião Hannibal é o filme mais interessante de todos inspirados nas histórias de Thomas Harris, obviamente pelo fato de girar em torno da mente esquisita de Hannibal Lecter. Mas também acho fascinante a classe e os diálogos que Hannibal tem com as pessoas ao seu redor. Nesse filme ele se destaca, principalmente nas cenas no qual ele cita Dante Alighiere para Rinaldo Pazzi e também quando ele fala sobre o ancestral de Rinaldo, no caso Francesco Pazzi, que morreu enforcado há muitos anos atrás. As cenas desse filme são provavelmente as mais grotescas da série o que faz com que o filme fique muito interessante e de certa forma perturbador.

Um filme excelente que eu recomendo todos assistirem imediatamente. Nota 10 para o filme, para Thomas Harris e por fim para Anthony Hopkins que interpretou o personagem com uma maestria ímpar!!!

Sim sim, tem esse pequeno detalhe que deixei para o final....não existe Hannibal Lecter sem Anthony Hopkins!